quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Artigo: Ética e política (10/08/2009)

Em pesquisas feitas sobre quais instituições merecem maior credibilidade, os políticos ficaram em último lugar. O sentimento da sociedade é de indignação diante da falta de ética na política brasileira. Escândalos, corrupção e promessas não cumpridas são os itens mais reclamados.
A crise exige algumas reflexões sobre o problema da ética – ou falta dela – na política. Até que ponto a política é compatível com a ética? Há quem considere que ética e política são como água e vinho: não se misturam. Os defensores dessa tese adotam uma postura que nega qualquer vínculo da política com a moral, ou seja, os fins justificam os meios. Não compartilho desta opinião.
Confesso que me entristeço com todos os fatos e denúncias que tenho ouvido e assistido. Incomoda pensar que as pessoas acreditam que todos os políticos são iguais. Eu tenho um mandato político e não posso aceitar a generalização.
É preciso fazer uma profunda reflexão sobre o que está acontecendo na política e, principalmente, de que forma estamos assimilando a situação. Também, refletir sobre o que estamos fazendo para mudar este panorama. Se me incomodam os escândalos e a generalização da classe política, me incomoda mais perceber que grande parcela da população já não se importa. Admite como normal tudo que acontece. Perdeu a capacidade de se indignar, de reclamar. Sequer acompanha o que seus representantes estão fazendo. Isso quando lembra em quem votou.
O que fazer diante de tantos escândalos e desvios de conduta? Não podemos admitir ou achar natural qualquer “jeitinho” que se dá para tirar vantagem. Muito na política e também na nossa vida pessoal. É ético passar na frente das filas, dando uma gorjeta ou usando influências? É ético obter vantagens com concessões, emendas e outros favores do governo, para apoiá-lo? É ético desviar parte do dinheiro roubado ou apreendido? É ético subornar? Aceitar suborno?
O que não podemos é ficar de braços cruzados diante de tanta bandalheira. Precisamos de uma reforma política séria e abrangente, que trate do financiamento público das campanhas, da fidelidade partidária e do voto distrital. Precisamos exigir e usar seriedade. Abolir o “jeitinho” do nosso cotidiano e ficar alertas. Acompanhar aqueles que escolhemos como nossos representantes. Não basta eleger, tem que cuidar.

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