quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Artigo: Estratégia para as cidades (06/07/2009)

Os desafios gerados para os administradores das cidades têm sido cada vez maiores, tanto na abrangência quanto na complexidade. Hoje, questões tipicamente públicas (explosão da população urbana, mudança do perfil demográfico, saúde e segurança) dividem a atenção do administrador público com itens comuns à iniciativa privada, como a velocidade e o aceso à informação, a concorrência, transparência e formação de gestores.
Para os especialistas em assuntos urbanos, a elaboração de um plano estratégico para o futuro é o principal papel das lideranças municipais. Hoje, as administrações públicas são exclusivamente reativas. E sem uma visão de futuro e foco em planejamento de médio e longo prazo, não estarão preparadas para o melhor aproveitamento dos recursos (naturais, humanos, técnicos, financeiros...), visando melhores condições de vida e a sustentabilidade das cidades.
Os obstáculos enfrentados pelos municípios, apesar das diferenças culturais, geográficas e econômicas, são muito similares. São gargalos que impedem o desenvolvimento. Entre eles, a educação, planejamento urbano, transporte, pobreza, saúde e segurança. Por incrível que pareça, ou por mais antigos que sejam não conseguem ser solucionados. Continuam presentes, imunes, independente de gestão, partido político ou ideologia.
Cada um destes gargalos engloba uma série de problemas interligados. Não se pode visualizar separadamente. Sem educação não há cidadania, não há como refletir sobre o meio ambiente, como obter qualificação profissional e um melhor emprego. Sem cidadania, não há voto consciente. Sem emprego, cria-se insegurança, violência, fome. Com a pobreza o quadro de saúde é ainda mais afetado. Sem saúde, a pobreza aumenta. E assim por diante... Tudo está relacionado.
Partindo da previsão de que em 2030 em torno de 60% da população mundial estará vivendo nos centros urbanos e levando em consideração, ainda, o binômio restrição de recursos versus demandas crescentes, fica cada vez mais latente a urgência na definição de uma estratégia na gestão das cidades. Uma estratégia que está acima dos administradores e de seus partidos e leva em consideração as vocações naturais, as tendências atuais (tanto local quanto global), ações para o desenvolvimento e as necessidades dos cidadãos. Os governos passam, mas as cidades ficam.

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