segunda-feira, 2 de abril de 2012

Artigo: "Trânsito" (02/04/2012)

As mortes e mutilações no trânsito vêm sendo discutidas, em âmbito mundial, há bastante tempo, justamente pelo crescente volume de acidentes e de vítimas. A ONU – Organização das Nações Unidas – propôs, inclusive, a criação da “Década de Ação pela Segurança no Trânsito”, entre 2011 e 2020, com metas para reduzir, neste período, o número de acidentes pela metade.
Nossa cidade não tem uma realidade diferente do resto do mundo. Pelo contrário. As estatísticas mostram que o trânsito aqui também é violento. Todos os dias os meios de comunicação montenegrinos trazem notícias sobre acidentes de trânsito. Muitos deles fazendo vítimas fatais, dilacerando famílias e ceifando da sociedade muitos cidadãos em idade produtiva.
No Seminário Regional de Trânsito, realizado na quinta-feira passada, foram apresentados alguns dados alarmantes: Hoje, morrem mais de um milhão e meio de pessoas no mundo em acidentes de trânsito. Até o ano de 2014, a estimativa é de que 140 mil pessoas morrerão no trânsito brasileiro. O major Ordeli Savedra Gomes, um dos palestrantes, fez questão de frisar que 140 mil brasileiros não assistirão a Copa do Mundo no Brasil, vitimados pelo trânsito. Nos últimos dez anos, registramos um crescimento de 7% no número de veículos no Brasil. Pois neste mesmo período, o número de vítimas fatais por acidentes aumentou nesta mesma proporção.
Apesar das estatísticas funestas, existe a esperança de reverter este quadro. Mas para isso é necessário haver uma mudança de atitude, de postura diante das ocorrências. Precisa haver um trabalho amplo e perseverante, baseado em três pontos fundamentais: educação, engenharia e esforço legal.
O trânsito é um tema pertinente e que merece atenção tanto do poder público quanto da sociedade. Todos nós temos responsabilidades, seja como políticos, cidadãos, motoristas, ciclistas ou pedestres. Cada um deve e pode contribuir para a segurança no trânsito de Montenegro.
Como a Câmara de Vereadores, através de seus integrantes, tem sido atuante nas tantas e inúmeras questões relacionadas à cidade, encaminhei na última sessão um requerimento para que seja criada a Frente Parlamentar pela Segurança no Trânsito. Estou propondo a formação de um órgão de auxílio, propositivo, fiscalizador e parceiro nas ações que visam diminuir a imprudência e violência nas ruas e estradas.

Se é possível colaborar, então queremos ser parceiros. Se é possível reverter estatísticas negativas, temos disposição, e porque não dizer obrigação, de atuar. Este é o nosso objetivo. Nosso dever, intenção e propósito.

Artigo: "Transparência" (26/03/2012)

Ao longo deste mandato de vereador busquei a participação efetiva da população, valorizando cada idéia, opinião e cada oportunidade de aproximação com a comunidade. Desde 2009 estamos fomentando grupos de trabalho, promovendo reuniões públicas, estimulando a sociedade civil organizada a tomar parte nas discussões e decisões dos temas da cidade.
Avançamos na forma de tratar as coisas públicas, de encaminhar e defender os interesses da população. De mostrar o valor e a importância do trabalho da Câmara. De manter a harmonia – com independência – com os demais poderes.
Neste sentido, as reuniões se tornaram praxe na Câmara. Reunindo representantes da Administração Municipal e outros órgãos, bem como as pessoas interessadas no assunto em tela, os encontros oportunizam esclarecimentos, troca de informações, emissão de opiniões e sugestões de melhoria.
Nesta linha, ainda, em 2010, através de uma Indicação propus que a Prefeitura de Montenegro criasse o programa "Cidade Transparente", através de um portal, no site oficial do município. Que nele constassem dados sobre as ações, custeio, investimentos, obras, prazos e projetos. O portal seria mais uma alternativa para prestar contas à comunidade sobre o que está sendo feito com os recursos públicos. Também uma ferramenta importante para anunciar projetos cuja execução representa obras e serviços para os cidadãos.
Naquela oportunidade justifiquei que outros municípios já haviam adotado tal medida e conseguido, com a transparência dos seus atos, que a população fosse mais participativa na tomada de decisões. Frisei que entender o orçamento municipal é difícil para a maioria das pessoas, pois muitos não estão familiarizados com os termos técnicos, a complexidade das rubricas, com os processos que envolvem qualquer obra ou investimento. Que somente conhecendo a real situação financeira do município e tendo clareza do que se quer com os projetos e de que forma serão executados estaremos estimulando a população a comparecer e interagir nas audiências públicas.
Acredito que estas considerações são importantes neste momento em que somos obrigados a encaminhar uma convocação para que a Administração Municipal compareça em uma reunião, pois ela não se dispôs a atender um convite oficial do Legislativo.
Temos procurado cumprir nosso dever de fiscalizadores e buscado, insistentemente, incluir os montenegrinos – de todos os segmentos – na discussão dos temas da cidade. Defendido a transparência em todos os momentos e ações. Esperávamos encontrar a mesma disposição e interesse do outro lado. Uma pena, mas não foi o que aconteceu, pelo menos desta vez.

Artigo: "Pertencer" (19/03/2012)

Quem acompanha meu trabalho, minha trajetória política e os textos que publico neste espaço semanal, sabe que tenho muito orgulho das minhas origens. Da preocupação que tenho em honrar a memória de meu pai, que foi um grande político e ainda hoje, depois de tantos anos de ausência, ainda é lembrado pela sua dedicação e trabalho em prol da cidade e da região. Conhece a motivação que recebo de meus filhos, que de um jeito singelo e direto, tão característico às crianças, dão opinião sobre o que vêem e o que esperam do lugar onde vivem.
É pela memória de quem me antecedeu e pelo exemplo que preciso – e quero - ser para os meus descendentes que encaro o desafio de participar da vida político-partidária montenegrina. Que levanto todos os dias com disposição para construir uma cidade melhor. Um desafio constante e crescente. Uma luta que vale a pena encarar.
Sei que assim como eu, existem muitos outros que escolheram Montenegro para viver. Aqui nasceram ou aqui chegaram e fizeram a opção pelo ficar. Pessoas das mais diversas profissões, nos mais diferentes pontos da cidade que, todo dia, levantam e dão o melhor de si pela família, pela empresa em que trabalham e pela comunidade da qual fazem parte. Cada um do seu modo, com seus sonhos e objetivos. Cada qual com sua trajetória e a sua experiência.
O tamanho de uma cidade – não em extensão territorial, mas em prosperidade e harmonia – pode ser medido pelo sentimento de pertencer. Pela sensação de acolher e ser acolhido. Quem pertence se importa. Quem pertence cuida. Quem pertence cumpre com seus deveres de cidadão, participa efetivamente dos temas da comunidade. Emite opinião, dá sugestão. Quem pertence olha ao redor, preserva o patrimônio público e se importa com o meio ambiente. Quem pertence faz a sua parte e estimula os outros.

Este pertencer, esta identificação tem uma dimensão ainda maior quando se ocupa um cargo público, quando se é escolhido para administrar ou representar toda uma comunidade. Neste caso, quem pertence sabe que, além de tudo, deve ser exemplo e multiplicador. Que do seu desempenho dependerá o tamanho que a cidade terá.

Artigo: "Perfil empreendedor" (12/03/2012)

Começo este artigo repetindo o que já escrevi em outro texto, há quase dois anos atrás, porque o tema permanece atual e se encaixa na abordagem que tenciono fazer. O desenvolvimento de uma cidade não acontece por acaso. Ainda que possa ter alguns componentes espontâneos, a experiência mostra a importância de ações planejadas, públicas e privadas, que precisam ser acionadas em conjunto e em sintonia.
É preciso refletir e planejar para encontrar soluções sólidas, que revertam dificuldades em melhores condições de vida para os cidadãos. Somente unindo esforços, em prol de uma cidade única, que acolha e atenda as demandas de todos os setores, conseguiremos enfrentar os desafios.

Fiz esta introdução porque quero destacar a grandeza e a diversidade produtiva de Montenegro. Enaltecer nosso perfil empreendedor. Atentar para o quanto é importante apoiar a vinda de novos empreendimentos e valorizar os empreendedores locais. Discutir e ampliar a política de incentivos para os segmentos industrial, comercial, de serviços e agrícola. Porque são estes setores que geram riqueza para o município. Eles que movem a economia e contribuem diretamente para o funcionamento da máquina pública.
Os empreendimentos têm prosperado em Montenegro. O setor privado tem cumprido sua parte, mas apesar de alguns avanços, ainda está distante a necessária sintonia entre o público e o privado. Esta diferença de ritmo e de preparo não impede, mas dificulta e desacelera o crescimento de quem é empreendedor.
Se temos bons exemplos de iniciativas que prosperam, na área urbana e rural é porque temos empreendedores eficientes e dedicados. Organizações identificadas e comprometidas com a comunidade, comandadas por pessoas de visão, que conseguem conciliar negócio e responsabilidade social.

Não há como citar neste espaço todos os empreendimentos bem sucedidos. Então faço menção a apenas dois, pelo momento especial que vivem nesta semana: LF de Oliveira (que mais uma vez recebe o troféu Leão de Bronze como terceira melhor revenda Ambev do Brasil e é a única revenda premiada no sul do país) e Jornal Ibiá (que comemora 29 anos de fundação). Por coincidência, duas empresas genuinamente montenegrinas. Exemplos de sucesso, trabalho e envolvimento comunitário.

Artigo: "Aos mestres, com carinho" (05/03/2012)

A volta às aulas é sempre um momento especial. Para aqueles que recomeçam é tempo de rever os amigos, de voltar à convivência diária. Para os iniciantes, é período de adaptação, de novas descobertas. As escolas se preparam para receber seus estudantes, buscando criar um ambiente que seja atraente e estimulante. Que seja, ao mesmo tempo, familiar e diferente. Acolhedor e desafiador.
O centro de todas as preocupações são os alunos. O foco de todas as atenções são os alunos. Mas e o professor? Este questionamento me veio à mente enquanto ouvia a palestra de abertura do ano letivo municipal, quando com muita propriedade, Max Haetinger falava sobre educação e do papel transformador em sala de aula.
Mais tarde, matutando sobre o assunto, ponderei que na volta às aulas tudo gira em torno dos alunos. Quais serão suas expectativas, seus medos, suas ambições? As escolas e seus quadros docentes – e as famílias de maneira geral – tentam responder estas perguntas e se esmeram para antecipar e atender, nos detalhes, todas as necessidades.
Já fui estudante e hoje sou pai com filhos em diferentes estágios de aprendizagem. Sempre tive todo apoio familiar e tento transmitir o mesmo. Sei o quanto o conhecimento faz a diferença e estimulo meus filhos a aproveitarem ao máximo os ensinamentos.
Porém, de novo, insistente, me veio aquela pergunta: E os professores? Quais serão seus medos, suas expectativas, suas ambições? Sim, porque sem professores não há educação. Sem eles não há aprendizado, nem conhecimento, nem orientação. Sequer o despertar para o novo, a inquietação, o desabrochar da curiosidade, fatores essenciais no aprendizado.
Mais do que trabalhador em educação, professor é professor. Mestre. Quem professa uma ciência e traz consigo a difícil – mas recompensadora – tarefa de ensinar. Precisa ser respeitado e valorizado por quem comanda as instituições de ensino – sejam públicas ou privadas – pelas famílias e pela comunidade como um todo. Alguém já imaginou como seria se não houvesse professores? Se não existissem estas pessoas abnegadas que se dedicam a orientar, a dar exemplos e conduzir?
No mundo atual, há um sem número de ferramentas que deseducam. Se nas famílias é difícil encontrar a forma certa, a linguagem ideal, imaginem em sala de aula, com uma clientela maior e tão mais diversificada.
Quem decide ser professor tem um dom. Por isso consegue tirar o melhor de cada um, apesar das realidades diferentes com que convivem seus aprendizes fora da escola ou das experiências diversas que trazem consigo
Então, neste início de ano letivo, como pais e cidadãos, façamos uma homenagem aos professores. Valorizemos quem se dedica ao magistério. Sejamos parceiros nesta tarefa, dando condições, apoio e suporte para que estes profissionais possam desempenhar suas funções. Para que sejam tão só, e plenamente, professores.