quarta-feira, 1 de junho de 2011

Artigo: "Dom Quixote" (30/05/2011)

Por onde quer que eu ande, nos últimos tempos, é feita a mesma pergunta: “Então Marcelo, serás candidato a prefeito?”. A resposta, de tantas vezes repetida, sai pronta e automaticamente: “Esta decisão não depende só de mim ou da minha vontade. Depende do partido. Precisa ser consenso e vem atrelada, no meu entendimento, ao que se quer para a cidade. Primeiro precisamos pensar no projeto para depois escolher os nomes”.
A maioria concorda com o que digo, ou finge que compreende minha posição. Nem pensa e apenas replica apresentando sugestões. Alguns, numa atitude positiva, me garantem que tudo vai dar certo. Sem referência exata ao que isto significa. Outros tantos, mais céticos, me previnem sobre as dificuldades atuais e futuras. Esta semana, porém, ouvi algo inusitado – comparando com as manifestações corriqueiras – e que me fez refletir. Disseram-me que pareço um Dom Quixote. Que não fui eu quem fez as regras, mas se quero participar do “jogo”, tenho de me enquadrar a elas. No caso das eleições, mais especificamente, exigir uma resposta e uma definição. Porque é assim que funciona. É assim que se procede desde sempre. A partir da candidatura ou do nome lançado, se busca apoios, coligações e propostas.
Cá entre nós, até gostei da comparação quixotesca. Ainda mais quando sei que idealista, ou sonhador, não são adjetivos usados com freqüência - diria quase nunca - para me caracterizar. O que é natural, já que prefiro revelar meu lado prático, direto e objetivo. Já que costumo falar de planejamento, metas e resultados, coisas que não combinam muito com ilusões, enganos ou utopias.
Mas, armaduras e moinhos de vento à parte, minha reflexão se deu mais por causa do comentário sobre as regras do jogo. Quais são elas? O que significa adaptar-se a elas? É possível reeditá-las? Fazer diferente? Quem pode mudá-las?
Como um pensamento puxa outro, lembrei daqueles que têm me chamado de oportunista porque critico a atual Administração Municipal, da qual – para quem não sabe ou lembra – meu partido (PP) faz parte. De forma alguma posso aceitar este rótulo porque minha contrariedade não é de agora, nem momentânea. Vem desde o começo deste mandato e recai, sobretudo, sobre a forma de gerir o município. Refere-se à falta de rumo. Tem a ver com a maneira de conduzir a coisa pública. Refere-se à letargia e desorganização, sem mencionar os “equívocos”, das ações e decisões.
Sei que daqui para frente – até as eleições – tudo ganhará dimensão e será motivo de debate e confronto. Haverá muitos moinhos e aparecerão vários Dom Quixote. Nunca pensei em ser nem um, nem outro. Apesar das tais “regras do jogo” ou rótulos que me sejam imputados, eu sigo minha convicção e busco fazer a diferença. Mesmo quando isto implica apontar erros de membros do PP ou do partido como um todo.

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