segunda-feira, 20 de junho de 2011

Artigo: "Cem ou sem?" (20/06/2011)

Permitam-me externar a satisfação de estar, neste momento, compartilhando o centésimo artigo escrito para a “Tribuna”. Estou orgulhoso, e muito, porque sei das minhas limitações como articulista. Porque sei o tamanho da responsabilidade que representa, semanalmente, expor meu ponto de vista, minha opinião e visão sobre os mais diferentes temas. A importância de ser claro, objetivo e autêntico. De conseguir prender o interesse dos leitores.
Para marcar esta data, resolvi retomar alguns assuntos abordados lá atrás, há dois anos, quando comecei a usar este espaço. Tenho de trazê-los à baila novamente. Nada de saudosismo ou repetição. Apenas realidade e constatação. Ao preparar a coluna de hoje, fiquei a pensar sobre o “cem”. Mas, como os pensamentos nem sempre respeitam (ou conhecem) as regras de Português, minha reflexão enveredou para o “sem”.
Qual a cidade que queremos? No artigo cem, continuamos sem planejamento e sem rumo. Participação e envolvimento da comunidade nas ações e decisões? No artigo cem, continuamos sem mobilizar os cidadãos e sem traduzir seus anseios. Soluções para os problemas urbanos recorrentes? No artigo cem, ainda sem eficiência e vivendo de paliativos. Melhorias na qualidade de vida dos montenegrinos, compatível com o crescimento econômico do município? No artigo cem, evoluímos no orçamento, mas sem ampliar os investimentos públicos. Questões imprescindíveis para a comunidade? No artigo cem, continuamos tratando-as como pontuais e pessoais, sem transformá-las em políticas públicas.
Estes são exemplos de assuntos que abordei ao longo dos meses, no intuito de contribuir, fazer o contraponto, construir. Não pensei que fossem servir como uma luva neste artigo sem. Quero dizer, cem.
Como o momento é de recordar – eu pelo menos recapitulei diversos pontos ao preparar este texto – é propício para que eu me manifeste sobre o plano de governo divulgado durante a campanha de 2008. Não é justo fingir que aquelas propostas não existiram, nem verdadeiro que elas serviram apenas de marketing. São propostas viáveis, elaboradas pela arquiteta urbanista Eliana Cheron, baseadas em estudos concretos e com o objetivo de qualificar a cidade. Foram levadas ao conhecimento e aprovação da coligação que hoje administra o município, que se comprometeu em priorizá-las e transformá-las em ações.
As unidades de vizinhança, o parque bairro de nossas vidas, a revitalização do Parque Centenário, o parque do Rio Caí, parque do Morro São João e o sistema de tratamento de esgoto tiveram cem por cento de apoio na época e têm, ainda hoje, cem por cento de chance de execução. Basta que se queira implementá-las e se busque as parcerias (públicas e/ou privadas) para colocar em prática.
As propostas existem e são exeqüíveis. Resta saber se há disposição e ousadia para trocar uma letra. Transformar o “sem” projetos em “tem” projetos.

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