terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Artigo: "Simpatia ou competência" (10/01/2010)

Dias atrás li um artigo que tratava das características de um bom político. Falava de uma pesquisa sobre o que é importante para o eleitor na hora de escolher seus representantes. Trazia vários exemplos brasileiros – entre eles Lula e Tiririca – e modelos de outros países, como Hugo Chavez, Fidel Castro e Barack Obama.
Os dados trazidos, confesso, não me surpreenderam. Justamente por reproduzirem o que já venho percebendo ao longo dos anos. As pessoas querem uma coisa do gestor público, mas votam em outra. Fiquei a refletir no que transforma os políticos em personagens. No paradeiro dos valores essenciais. No porque um atributo como simpatia é mais importante do que capacidade, conhecimento, ética, honestidade e competência.
Fiquei pensando que há muito tempo pessoas próximas a mim pedem para que eu seja diferente. Alegam que não basta estar preparado, não é suficiente ter vontade ou experiência. É quase como se fosse preciso representar. Estar sempre sorridente, mesmo diante de situações catastróficas. Sempre simpático, mesmo diante de propostas indecorosas ou indecentes.
O que a maioria não entende é que apesar de político somos pessoas normais. Daquelas que têm problemas na família, nos negócios. Que têm dias ruins, dúvidas e medos. Exigir-nos simpatia o tempo todo, determinar o sorriso, a disposição para “um tapinha nas costas” ininterruptamente, é quase desumano. E na minha concepção, não serve de forma alguma para qualificar um bom gestor público.
Vivemos um tempo em que político é sinônimo de corrupção. Ficar em cima do muro. Refrear pensamentos e atitudes. Tudo em prol do “não se queimar”. O ideal é ficar bem com todos. Quando estamos numa roda de amigos e alguém se esquiva de opinar sobre determinado assunto, costumamos dizer que está agindo como político. Será? Desde quando político deixou de ser o exercer a política? Sim, porque política – e está no dicionário – são práticas relativas ao Estado ou a uma sociedade. É a arte de bem governar, de cuidar dos negócios públicos.
Jamais confundam política com politicagem. E, sinceramente, jamais exijam que eu seja diferente ou abdique dos valores que herdei de meu pai e minha mãe – e busco repassar para meus filhos – como condição primeira para meu êxito como político. Apesar de todos os exemplos que me possam ser apresentados, prefiro ser fiel ao que sou. Prefiro me ater ao que aprendi ao longo dos anos e com as experiências vividas. Na família, nos negócios, na vida pública.
Nunca consegui fingir. Sou péssimo na arte de representar. Dificilmente conseguirei mudar minha forma de ser ou agir. Tenho convicções, opinião, história e disposição. Se como sou não serve ao meu partido, ou à cidade, só me resta lamentar. Lamento pelo afago que não dei àqueles que vivem em função de bajulações. Lamento, enfim, acreditar na política séria. Aquela que leva em consideração o coletivo. Que cumpre o que promete. Que se dedica e transforma.

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