segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Artigo: "Desafio de caminhar" (24/01/2011)

As campanhas de estímulo à prática de exercícios físicos são antigas. Conheço muitas pessoas que tem imenso prazer em freqüentar uma academia. Sentem-se revigorados com a ginástica. Outras tantas não dispensam uma caminhada diária, ou ainda, uma boa “pedalada”.
Dia desses à tardinha, passando pela beira do Rio Caí, deparei com dezenas de montenegrinos a caminhar. Eu, no carro, fiquei a admirar o ritmo daqueles caminhantes. A calçada do cais não comportava tanta gente. Usavam os dois lados da rua. Pessoas de todos os tipos e de todas as idades. Passo a passo, iam se aproximando ou se distanciando.
Abordei o movimento na beira do rio nos finais de tarde e o grande número de pessoas que escolhiam aquele trajeto para fazer suas caminhadas numa conversa, tempos depois. Foi quando alguém comentou que esta prática em Montenegro é um verdadeiro desafio. Com a experiência de quem tem anos e anos de caminhadas e alterna diferentes percursos de tempos em tempos, falou que existem muitos obstáculos que dificultam o exercício. Fez-me um relato, rico em detalhes.
O Parque Centenário, que sempre foi o “point” do exercício ao ar livre, precisa ser repensado, melhor cuidado. A pista de caminhada está pesada por causa do material colocado. Um tipo de brita que dificulta a caminhada e não impede que levante uma nuvem de poeira no horário de maior fluxo. Muitos escolhem outro local para se exercitar por causa da poeira. Sentem dificuldade para respirar e temem alguma reação alérgica.
Na beira do rio há problemas nos passeios. Tanto no “calçadão” como no outro lado da rua. Em grande parte do trecho existem calçadas, mas elas estão mal conservadas e cheias de desníveis. Nestes pontos, então, as pessoas usam a pista de rolamento, dividindo o espaço com ônibus, carros, motos e bicicletas.
Aliás, as calçadas defeituosas – ou inexistentes – tornam dificultoso o caminho de quem opta por andar pelas principais ruas da cidade. Nestas também há quem prefira usar o acostamento, apesar do perigo que o fluxo de veículos representa. Isto sem contar outros obstáculos que precisam ser contornados, como as motos e bicicletas estacionadas sobre as calçadas ou as placas de propaganda.
Depois de ouvir atentamente o relato, cheguei a duas conclusões. A primeira é de que tanto o Parque Centenário quanto a beira do rio precisam ser reavaliados. Coisa que já venho sugerindo há tempo. Inclusive, propus que o parque tenha um Plano Diretor próprio. Está provado que apesar do mínimo de estrutura que oferecem, conseguem atrair um grande número de pessoas.
A segunda conclusão imediata é de que os montenegrinos prezam pela qualidade de vida e buscam hábitos saudáveis. Só isso explica ou justifica desafiar o trânsito caótico e enfrentar tantos obstáculos por uma caminhada.

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