segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Artigo: "Movimento Comunitário" (02/08/2010)

Há pouco mais de dois anos atrás decidi voltar à vida pública. Permiti deixar vir à tona minha veia política, que tentei abafar, confesso, sem muito êxito. Meu retorno foi, em parte, para honrar a memória de meu pai. Outro tanto pelo futuro dos meus filhos. Mas muito, senão essencialmente, por saber e acreditar no potencial da cidade e vislumbrar uma oportunidade de fazer mais, fazer diferente.
Este fazer diferente não quer dizer que o modo habitual está errado. Não significa apagar o que já foi realizado ou desmerecer outros modos de agir. Mostra, apenas, a intenção de melhorar, de ampliar, de inovar.
Foi neste contexto que nasceu o projeto “Câmara Vai aos Bairros”. Longe de achar que seria a solução para todos os problemas, o que se buscou foi aproximar o Legislativo da população. Mostrar interesse pelas comunidades e conduzir, como seus legítimos representantes, as demandas para quem, de fato, tem o poder (e o dever) de atendê-las.
Muito mais do que resolver as carências de infra-estrutura, até porque esta função é do Executivo e não da Câmara, as reuniões objetivam fomentar a participação das pessoas. Incentivar que elas se reúnam em associações e percebam que em grupo, organizadas, têm mais energia para lutar por seus direitos e maior capacidade de transformar. E que na Câmara, com os vereadores, encontrarão um espaço sempre aberto para o debate e encaminhamento das reivindicações.
Este projeto, quando foi concebido, levou em consideração a dificuldade dos montenegrinos em participar das sessões legislativas. Em conhecer e reconhecer seus representantes. Seja pela distância, por causa do horário ou até pela falta de interesse. Sabíamos não traria resultados imediatos. Que é preciso tempo para aprender, absorver e se adaptar. De ambos os lados. Tanto por parte dos vereadores quanto dos moradores visitados.
Considerar o “Câmara Vai aos Bairros” ineficaz porque as obras solicitadas nas reuniões não foram totalmente atendidas é um equívoco. O projeto cumpre seu papel. Desperta e estimula a cidadania. Prova disso é que as associações estão se mobilizando para participar das sessões legislativas. Se o “Câmara Vai aos Bairros” provocou a discussão, entre os líderes das associações, sobre a melhor forma de reivindicar, é sinal de que estamos no caminho certo. Estamos revigorando e fortalecendo o movimento comunitário. Não importa se o Legislativo vai aos bairros ou se os bairros vão ao Legislativo. Relevante, nesta relação, é que ambos entendam que juntos têm mais força. Dêem e tenham respaldo mútuo. Estejam próximos e comunguem do mesmo objetivo. Unam esforços, tanto na hora de cobrar benfeitorias e exigir direitos, como nos momentos de elaborar propostas e construir uma cidade melhor.

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