segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Artigo "Façanhas de modelo" (19/09/2011)

Reviver a história, relembrar o passado, a cada ano, principalmente durante a Semana Farroupilha, é o que assegura a manutenção da nossa identidade gaúcha. Poucos estados brasileiros celebram com tanta empolgação e respeito suas datas cívicas. A Semana Farroupilha é uma unanimidade regional. Reúne cidadãos de todas as origens e classes sociais. Congrega patrão e peão, brancos, índios, negros, mestiços, descendentes de alemães, italianos, polacos, portugueses... Gremistas e colorados.
Acho que em nenhum outro lugar se canta o hino do estado com tamanha reverência. É sempre uma emoção entoar o refrão que nos remete aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Um orgulho pertencer à nobre estirpe de um povo trabalhador, próspero, valente e hospitaleiro. Forjado pelos ventos, ora minuano e gelado, ora do norte e abafado. Calcado em valores morais. Alicerçado na família, na terra, na força do trabalho.
Nesta semana quero, de maneira simples, mas direta, fazer um chamamento a todos. Que não esqueçamos os ideais e a força que nos move e nos une. Os farroupilhas de ontem e os farroupilhas de hoje são aqueles que lutam, todos os dias, para termos uma sociedade melhor. Cada um do seu jeito. Cada qual na sua lida.
Pensemos, pois, no que somos e fazemos hoje. No que podemos melhorar. Numa forma de participar. Nossos antepassados lutaram tanto por princípios democráticos e de liberdade. A nós cabe aprimorá-las. Sempre. Todos os dias. A fim de que a cidadania seja plena e todos sejam partícipes na construção de uma cidade, um estado e um país mais justo e feliz.
Como diz nosso hino “Sirvam nossas façanhas de modelo. De modelo a toda a terra”. Hoje nós reverenciamos aqueles farroupilhas que lutaram contra o autoritarismo. Sentimos orgulho pelo que fizeram.
O que será que pensarão, ou dirão de nós daqui a 10, 50, 100 ou 176 anos? Depende do que somos e fazemos hoje para sermos lembrados pelas próximas gerações. Que as nossas façanhas sirvam de exemplo para nossos filhos, nossos netos e todos aqueles que virão depois. Que eles possam também sentir orgulho de nós. Possam, reunidos numa roda de chimarrão, em volta de um braseiro, ou numa solenidade cívica alusiva ao 20 de setembro, contar sobre uma época em que homens e mulheres fizeram a diferença. Construíram, através da participação, do comprometimento, uma cidade melhor.
Somos gaúchos. Trazemos conosco certa inquietação. Uma ânsia que nos leva à frente. Que nos move e encoraja. Pois deixemos aflorar esta ânsia para superar as adversidades. Usemos nossa inquietude para fazer diferente. Mostremos coragem e disposição. Montenegro merece. A geração futura agradece.

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