terça-feira, 2 de novembro de 2010

Artigo: "Ocupação jovem" (01/11/2010)

Ser o colunista das edições de segunda-feira, no caso específico das eleições, que sempre ocorrem aos domingos, me deixa numa espécie de limbo. Tenho de entregar o texto antecipadamente, sem chance de conhecer o resultado final. Assim, fico sem condições de tecer comentário a respeito do pleito.
Então, um pouco pelas circunstâncias, outro tanto porque este é um assunto sempre atual e importante, mas muito por causa de uma reportagem que li durante a semana, não abordarei política partidária neste artigo. Vou falar sobre espaços urbanos para o lazer. Na matéria que citei, os entrevistados eram os urbanistas Jaime Lerner e Fermín Vásquez, que falavam da revitalização da área do cais em Porto Alegre.
Uma colocação de Vásquez me chamou à atenção. Diz ele, baseado na experiência que teve em outros empreendimentos, que para obter sucesso na revitalização de espaços públicos é preciso que as pessoas se apropriem do lugar. Principalmente, que o jovem tome conta. E que ao se pensar na humanização e preservação de áreas, a meta seja a acessibilidade. Se permita a livre circulação, sem veículos. Se priorize o pedestre. Que as pessoas tenham fácil acesso e possam explorar tudo que lhes é oferecido.
Durante a leitura daquela reportagem me veio à mente nossa beira do rio e o grande número de montenegrinos que aproveitam aquele local à tardinha e nos finais de semana. E, ao mesmo tempo, no tanto de espaço que ocupam os veículos, estacionados dos dois lados da Rua Álvaro de Moraes.
Será que não seria mais atraente, mais proveitoso e quem sabe até, mais humano, proibir o acesso dos carros àquela via aos sábados e domingos? Os veículos (que não fossem de moradores, claro) poderiam ser deixados nas proximidades. Na beira do rio, haveria mais espaço e segurança para caminhadas e as brincadeiras das crianças.
A população já tomou conta da beira do rio. Já se apropriou deste pedaço da cidade que é hoje, um dos principais pontos de encontro da juventude. Para torná-lo melhor para quem freqüenta e incentivar outros a visitá-lo, não é necessário nenhum grande investimento – como será no caso de Porto Alegre. Basta disciplinar o uso. Criar algumas regras, como proibir a circulação de veículos, por exemplo, que melhorem o acesso da população, que ampliem o espaço e facilitem o convívio com os moradores da área.
Nós temos o atrativo (rio) e temos público. Com uma pequena interferência do Poder Público, num espaço que é público e, portanto, está sob a sua responsabilidade, criaríamos um espaço ainda melhor. Despertaríamos uma maior consciência do que é urbano e pertence a todos. Quem sabe até aprenderíamos a usar as lixeiras. Passaríamos a pensar mais na preservação do meio ambiente e na conservação do patrimônio público.

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