segunda-feira, 14 de junho de 2010

Artigo "Caminho Certo" (14/06/2010)

Leis existem. São Muitas. Dizem respeito a tudo e, na teoria, aplicam-se a todos. Na prática, no entanto, as regras dificilmente são cumpridas, desde as mais simples até as mais complexas. Pouco importa se é proibido, obrigatório ou não permitido. Sempre é possível dar um “jeitinho”. O que interessa é a minha vantagem. Resolver o meu problema. Choveu e o arroio transbordou? A boca de lobo entupiu? Ora, a culpa não é minha, pois não sou só eu que jogo lixo ali. A locadora fechou? Nada tenho a ver com isso, afinal tenho poucos CDs piratas em casa. Alguém caiu? Ah, com certeza foi desatenção ou problema de visão. Jamais seria porque tem um buraco na minha calçada ou falta manutenção da rua. Ratos, cobras e doenças? Culpa do aquecimento global... Nunca por causa do mato e entulho no terreno.
Nesta cultura do “jeitinho” que adotamos, o culpado está sempre longe de nós. Normalmente, imputamos aos outros as obrigações e o cumprimento da lei, mas esquecemos que também temos as mesmas responsabilidades. Adoramos reclamar nossos direitos, mas preferimos esquecer os deveres e acabamos errando, tanto por ação quanto por omissão. E quando surgem mecanismos de fiscalização e punição, discordamos. De tudo e imediatamente.
Não estou aqui falando apenas de pessoas ou do setor privado. Enquadro também o setor público, que peca por não atender expectativas e demandas ou por justificativas esdrúxulas para a sua ineficiência ou inércia. Não me atenho, tampouco, à esfera municipal.
Se cada um de nós (público e privado) assumisse seu papel e cumprisse com seus deveres, não haveria porque reivindicar direitos. Ficaria tudo certo e assegurado. Muito mais fácil e menos oneroso. Ganharíamos mais tempo planejando resultados e gastaríamos menos energia corrigindo. Ou fiscalizando, ou buscando mecanismos de reparação ou punição.
Toda vez que dou um “jeitinho” algo ou alguém é prejudicado. Sempre que eu descumpro a lei ou consigo encontrar um desvio que me favoreça, penalizo outro. Sei que é difícil levantar o olhar e vislumbrar em derredor. Deixar de lado o individualismo e pensar no coletivo. Porém, precisamos estar cientes de que nossos atos têm conseqüências. Algumas vezes imediatas, outras vezes num médio ou longo prazo. De uma forma ou outra, o que fazemos repercute. Afeta o próximo e o distante.
Voltando ao início, as leis existem e são para todos. Cabe a cada um de nós, entretanto, obedecer e aplicar. Ou arcar com as conseqüências. Entender que o caminho certo quase nunca é o mais fácil ou o mais curto. Perceber que o grande desafio está em abrir mão do “meu” para alcançar o “nosso”.

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