segunda-feira, 18 de abril de 2011

Artigo: "Trabalho conjunto" (28/02/2011)

Até pouco tempo atrás, o que era público ficava a cargo só – e tão somente – do estado. Havia uma divisória nítida entre o público e o privado. Cada um agia dentro do seu setor. Não existia muito diálogo ou reflexões sobre o quanto um é importante para a existência do outro. Cada um crescia, ou regredia sem perceber (ou admitir) o quanto o sucesso e fracasso do outro influenciavam. Até pouco tempo atrás, na política, havia situação e oposição. Assim era do início ao fim. Todo mundo sabia de que lado estava, com quem se afinava. Sabia quem e o que deveria apoiar. Aquilo ou aqueles que deveria repudiar. Era preto ou branco. Nada de nuances cinzas, governabilidade ou acordos pré-eleitorais. Até pouco tempo atrás poder público, empresários e cidadãos eram três entes separados. Viviam longe um do outro. Não se falava em participação, em coletividade. Não havia espaço para opiniões. Era tudo à revelia, separado, unilateral. Bem, mas isso foi até bem pouco tempo atrás. Hoje, não há desenvolvimento sem parcerias público-privadas. Não há crescimento sem gestões públicas participativas e inclusivas. Não há resultados se não houver divisão de responsabilidades, espaço para o diálogo. Se não houver união em torno de objetivos comuns, nada acontece. Nada prospera. Percebemos que uma cidade melhora quando gestores públicos e comunidade estão afinados. Quando um busca no outro a solução e encontra. Quando cada um se dispõe a fazer a sua parte e coopera. Quando há respeito mútuo. Quando se divide responsabilidades e conquistas. Quando existe ambiente para opinar, sugerir, modificar. Ninguém levanta pela manhã com o intuito de destruir a cidade, bairro ou rua onde mora. Não há quem acorde pensando num plano para que tudo dê errado. Ou tome atitudes querendo o pior. Claro que não. Todo mundo quer o melhor, viver bem e ser feliz. Porém, nem sempre as ações são as mais apropriadas. Por vezes, o que traçamos não dá o resultado esperado. Aí, precisamos revisar nossos planos, ouvir, por vezes desfazer e recomeçar. Reconhecer que erramos. Aceitar contribuições alheias, auxílio externo. Na política, apesar do emaranhado de coligações e apoios, ainda há muita resistência em dividir sucessos, em admitir que o coletivo propiciou melhorias, em aceitar que o esforço conjunto sempre dá mais resultado. Ainda mais quando as ideologias são diferentes, quando o modo de agir diverge daquele que usamos ou esperamos. As verdadeiras e boas mudanças vêm através de parcerias. São raros os casos em que se muda a realidade de um município isoladamente. É preciso cumplicidade para que as coisas aconteçam e dêem certo. Ser cúmplice, neste caso, não significa concordar com tudo. Tão pouco fazer-se de cego, surdo e mudo. Quer dizer apoio, disposição, participação. E quando se consegue isso com diferentes partidos, com diferentes segmentos, deve-se comemorar. Jamais esconder ou omitir.

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