terça-feira, 19 de outubro de 2010

Artigo: "Sorte e intuição" (18/10/2010)

Fiquei satisfeito porque haverá segundo turno na eleição presidencial. É bom para a democracia. Com tempos iguais de propaganda, os temas que fazem parte do dia-a-dia do brasileiro podem ser aprofundados, melhor analisados. Teremos a oportunidade de conhecer os projetos de cada candidato, em todas as áreas, e fazer uma escolha consciente, baseada no que vimos e ouvimos.
Esta é a idéia que tenho de segundo turno. Na prática, no entanto, nada disso acontece. Estamos na iminência de escolher quem comandará o nosso país nos próximos quatro anos e faltando duas semanas para a decisão, o principal debate gira em torno do aborto. Ou melhor, este é o tema mais usado e explorado. É uma questão importante sim, sem dúvida. A população tem o direito de saber o que pensam os candidatos sobre este assunto, mas não podemos torná-lo único.
Perdemos um tempo enorme ouvindo acusações, explicações, justificativas e repercussões sobre algo que nada tem de objetivo ou realista. É puramente eleitoral. Ao passo que temas como segurança, educação, saúde, geração de emprego, considerados prioridades em todos os níveis de governo, ficam relegados a um plano secundário.
Horário político virou sinônimo de fofoca. Quem assiste – sim, porque muitas pessoas já desistiram – o faz para ver quem é o alvo do escândalo do dia. O que um descobriu de feio, vergonhoso, ou ilegal, do outro. Nem parece eleição para decidir quem estará à frente de uma nação. Está mais para competição de quem tem a melhor equipe de investigação. Quem consegue se “infiltrar” mais para descobrir as falhas do adversário.
Enquanto isso nós eleitores teremos de escolher em que votar. Mesmo sem ter as respostas para tantas questões do nosso dia-a-dia. Sem saber ao certo e na prática o que significam as mudanças anunciadas por todos os candidatos. Sim porque mudar, ou então continuar mudando, são expressões presentes em todos os discursos. A auto-estima da população está tão baixa que a palavra mais usada em todas as campanhas é mudança.
Já que programas de governo, equipes de trabalho e propostas específicas (me perdoem, mas tenho que citar metas e resultados) parecem não ser o foco neste período que antecede a votação final, torço para que tenhamos sorte. Que a nossa intuição nos leve a escolher aquele que melhor saberá representar o Brasil e, principalmente, os brasileiros.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Artigo: "Pelas crianças" (12/10/2010)

Amanhã é Dia das Crianças. Queria poder nesta coluna, escrever com a sensibilidade dos poetas. Falar de borboletas, de cores e sabores que só e infância consegue perceber. Infelizmente, não tenho este dom. Sou apenas um pai orgulhoso, que se emociona com o crescimento dos filhos, a cada dia. Que se renova com as descobertas deles. Preocupa-se com o futuro e tenta, da melhor maneira possível, estar presente e ser um bom exemplo.
Permito-me hoje homenagear, através dos meus filhos, todas as crianças. Minha primogênita, Roberta, certamente achará que não se enquadra neste texto. Ela está a caminho de completar 20 anos. Adulta, sem dúvida. Pronta para voar com suas próprias asas. Porém, para mim, pai coruja, eterna menina. Já Bernardo, que tem 8 anos, vai adorar. Costuma externar suas idéias. Dar palpites para meus artigos e, com um jeito muito próprio, demonstrar como vê e entende a cidade onde nasceu e mora. Gustavo, o caçula, é mais introspectivo, mas nem por isso menos atento. Quem o conhece sabe que o olhar calmo observa tudo e daquilo que vê tira suas próprias conclusões.
Sou um homem feliz e realizado pelos filhos que tenho. Queria que todos pudessem ter esta alegria. Acompanhar o crescimento deles é uma oportunidade única. É um aprendizado diário. Renovo-me a cada dia através das percepções e experiências que relatam. São ao mesmo tempo, a causa e conseqüência daquilo que faço. Sem perceber, ou ainda não compreender a extensão da sua importância, eles motivam meu trabalho como político e empresário. Minha atuação como cidadão, consciente dos meus direitos e, sobretudo, sabedor dos meus deveres.
Todos os dias deveriam ser dedicados às crianças. É delas que extraímos a força para continuar. É nelas que pensamos quando buscamos um mundo melhor. É por elas que precisamos fazer mais, fazer a diferença.
Sei que sou afortunado por comemorar os filhos que tenho. Eles, por sua vez, têm a felicidade de fazer parte de uma família, quando tantas outras crianças sequer possuem um lar ou base familiar para servir de apoio e referência. Não têm a chance de aproveitar a infância, de brincar, de estudar, de crescer com saúde e dignidade.
Nesta véspera de 12 de outubro, se como nas histórias infantis que ouvi, houvesse uma lâmpada mágica e dela saísse um gênio concedendo-me um desejo, pediria simplesmente que toda criança pudesse ser criança. Que não houvesse infância roubada. Assim, o maior medo seria do bicho-papão e sempre haveria um herói para defendê-las do mal. A vida seria mais simples, risonha e colorida.
Parabéns crianças. Obrigado Roberta, Bernardo e Gustavo por fazerem parte da minha vida. É uma honra ser chamado de pai por vocês. Um privilégio, felicidade pura, poder chamá-los de meus filhos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Artigo: "Respeitar a maioria" (04/10/2010)

Quando o jornal de hoje chegar aos leitores o resultado da eleição já será conhecido. Muito antes disso até. Estou fora de Montenegro neste momento e enquanto escrevo as urnas devem estar chegando e os votos sendo contados. Escrevo? Contados? Nada disso. Estamos na era digital. Nos dias atuais os votos aparecem em extratos, já devidamente identificados e somados. Tornam-se conhecidos numa rapidez alucinante. Os candidatos, e também os eleitores, não precisam mais ficar horas e horas, às vezes até dias, à espera dos tão aguardados números.
Infelizmente, terei de colocar o ponto final neste texto antes de saber o que o povo brasileiro – e os montenegrinos em particular – decidiram. Mas isso não é o mais importante, até porque não teria a intenção de analisar o porquê da vitória de uns e os motivos que contribuíram para a derrota de outros. Deixo isso para os partidos e as coordenações de campanha. Que eles façam uma análise profunda e criteriosa. Não de cunho revanchista ou desagregador (normalmente se encontra culpa neste ou naquele, nisto ou naquilo), mas com intuito de fortalecer as agremiações partidárias (e seus filiados) e reconhecer os erros e acertos. Que eles sirvam de exemplo para melhorar – ou no caso de quem ganhou ratificar – as estratégias futuras.
Então o que dizer neste momento? Simples. Que a decisão da maioria seja respeitada. Que os vencedores honrem seus discursos, suas promessas. Que os perdedores, a partir de amanhã (porque hoje ainda estão muito abatidos) compreendam que fazem parte de um processo democrático. Que o pleito terminou (será mesmo que não haverá segundo turno? Gostaria que tivesse, pois seria bom para o processo eleitoral) e mesmo que não tenham sido eleitos cumpriram um importante papel e ainda muito podem contribuir e trabalhar, seja como políticos ou cidadãos.
Por vezes deixamos de crescer, de melhorar, porque ficamos atrelados ao que passou. Ao que podia, mas não aconteceu. Não aceitamos o que a maioria definiu. Apesar de bradar e defender a democracia, por vezes não conseguimos ter a grandeza de respeitar a vitória do adversário. Torcemos para que a partir de então tudo dê errado. Mais do que comemorar a nossa vitória, celebramos é a derrota dos outros. Sem perceber que esta atitude prejudica a nós mesmos, afinal, somos parte da mesma sociedade. Depois das eleições continuamos neste país, neste estado e tudo que acontecer daqui para frente, de bom ou ruim, também nos atingirá.