terça-feira, 29 de novembro de 2011

Artigo: "Tudo igual" (21/11/2011)

Por estes dias, uma pessoa que esteve fora de Montenegro nos últimos dois anos – por conta de atividades profissionais – me disse que retornou e percebeu que estava tudo igual. Perguntou-me a respeito das novidades políticas e questionou sobre a participação dos montenegrinos. Mais especificamente, sobre a participação dos jovens nos temas e decisões da cidade.
Curiosidade natural de quem está voltando. Interrogação normal de quem busca se inteirar do que está “rolando” na cidade e na política. Ainda mais quando entabula uma conversa com alguém que tem mandato.
Naquela fração de segundo – entre o ouvir a pergunta e proferir a resposta – fiquei na dúvida sobre o significado do “está tudo igual”. Será que representava algo positivo, como voltar e se sentir em casa? Ou era uma sentença pejorativa. Daquelas que implicam estagnação. Atestando que não houve melhoria nem crescimento.
Respondi que mobilizar a comunidade para os temas coletivos é um processo lento, que precisa ser construído e estimulado o tempo todo. Que as pessoas tendem, historicamente, a se preocupar com os seus problemas, com a sua situação. A grande maioria não integra discussões maiores e ainda não consegue dimensionar a força de mudança que tem a sua participação, o seu voto.
Apesar dos eventos recentes – audiências do orçamento e do contrato com a Corsan, promovidas pela Prefeitura – que tiveram ínfima presença popular, reiterei que avançamos. Que muitos assuntos antes discutidos e decididos unilateralmente, agora eram apresentados em reuniões públicas. Que a Câmara busca estimular a participação. Está atenta e disponível para inúmeros temas.
Sem aprofundar a importância de mobilizar a comunidade e no quanto a participação enriquece os debates e respalda as decisões, acabamos nos separando. Antes mesmo que eu pudesse esclarecer minha dúvida quanto ao “tudo igual”.
Fiquei a remoer sobre isso um bom tempo, porque nada pude perceber pela entonação. Não é uma daquelas pessoas que acha tudo ruim. Que só reclama ou vê defeitos. Tampouco é alienada. Pelo contrário. Apesar de jovem, é experiente. Por conta da profissão, já conheceu muitos lugares e conviveu com realidades e cidades bem distintas.
“Tudo igual”. Isto que vemos quando olhamos Montenegro?
“Tudo igual”. É bom ou ruim?
“Tudo igual”. Definitivamente, um bom tema para reflexão.

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